antes risos que prantos escrever, sendo certo que rir é próprio do homem [Rabelais]
A encarnação e o relevo do visível: o visual
21.11.09
«Quando S. João, no início do seu evangelho, recordava que os homens tinham finalmente podido «contemplar a glória do Verbo» (et vidimus gloriam eius, segundo o texto latina da Vulgata), designava assim o acontecimento absolutamente central – ou a invenção absolutamente central – do cristianismo, que é a encarnação do Verbo divino na pessoa «visível» de Jesus Cristo. Acontecimento «incrível»- constituindo por isso mesmo o rochedo absoluto de toda uma crença. Porque celebrava numa espécie de entrada de Deus como tal, e não como aparência, no mundo visível, o acontecimento da Encarnação devia logicamente constituir também o “ lançamento absoluto de toda a figuração”. Parada absoluta, mas também: paradoxo absoluto de toda a figuração, que S. Bernardino de Siena, no século XV, exprimia dizendo que: «o infigurável (aí aparecia) na figura (…), o incircunscrível no lugar, invisível da visão» etc. Paradoxo, com efeito: qual pode ser o aspecto congruente dum verbo, duma pura palavra que se encarna? Por que é um homem (cur homo): o foi, sabemo-lo, o título de numerosos tratados medievais acerca da Encarnação, em particular o de Santo Anselmo)? Como conciliar a unidade imutável da pessoa divina com a diversidade e o contraste do que seria preciso nomear a dramática das suas transfigurações, depois o belo jovem, capaz de andar sobre as águas, até ao ser desfigurado e sangrento, humilhado, que pende na cruz…e depois esse homem sacrificado, até ao deus deslumbrante que se eleva acima dos discípulos… e depois ainda esse corpo glorioso, até à pura e simples superfície do pão ázimo consagrado, onde o dogma cristão reconhece portador de toda a «presença real» do próprio Verbo?
O que o cristianismo procurava aprofundar, neste lance e neste paradoxo da figuração, era ultrapassar a oposição secular dos deuses demasiado visíveis do paganismo greco-latino e do deus demasiado invisível da religião hebraica. O cristianismo tinha nascido - e fatalmente haveria de permanecer qualquer coisa nele – na dupla cultura que pretendia ultrapassar: na Antiguidade clássica, com o que isso pressupunha de abandono ao prazer das belas figurações, e ao que se poderia nomear uma religião dos corpos; na religião do Livro, com o que ela supunha de aversão no que reporta ao prazer ou à magia das imagens. Esta situação, mais uma vez paradoxal, condiciona em grande parte as contradições aparentes que marcam a emergência e o desenvolvimento do cristianismo: por exemplo o florescimento das grandes teologias da imagem, numa época em que a religião cristã ainda fazia sua a interdição mosaica das imagens; ou o nascimento de uma arte propriamente cristã numa época em que os teólogos (Tertuliano em particular) exprimiam violentamente a sua aversão ao mundo visível…
A solução destas contradições históricas só pode ser prevista se dermos conta do trabalho intenso de relevo, d’Aufhebung, de ultrapassagem dialéctica, aplicadas pela doutrina cristã às categorias usuais da figura e da visibilidade. A nossa primeira hipótese será então que o mistério cristão da Encarnação exigiu e produziu um trabalho de relevo do visível, tendo em vista exigir e produzir o seu trabalho extremo de figuração. Que «o invisível seja visto na visão» impunha logicamente que a contradição visível /invisível fosse superada, e isso só era possível pela própria modificação o conteúdo próprio de cada noção.
Mas como é que isso foi levado a cabo? Primeiro exigindo do mundo visível qualquer coisa como uma perda , um dano sacrificial. Um rito de passagem, um baptismo, uma circuncisão do olhar. Qualquer coisa como um contrato feito com o mundo das imagens, mundo a que o teólogo cristão se dirigiria nestes termos: «ou bem que tu não és visível, e então eu abandonar-te-ei como aparência e como ídolo. Ou bem que tu me agarras ao fundo, tu o incarnas, tu próprio à imagem e à semelhança da palavra divina e da sua encarnação que deves glorificar, e então eu reconhecer-te-ei como uma figura da verdade…» Este relevo do visível, que reconciliaria a um certo nível o abade de Suger em êxtase diante das nuvens coloridas de um cálice de sardónica ou a profusão dourada das figuras cinzeladas no altar de Saint-Denis, e S. Bernardo que apenas desejava o clarão branco das suas paredes para poder contemplar o Verbo- este relevo do visível pode ser nomeado o visual, por consideração particularmente à pregnância extraordinária do próprio vocabulário da visão (próprio e sobretudo quando é chamado interior) em todo o pensamento e imaginário do cristianismo. Dizemos o visual para precisar o que entendemos de mais alto através da fórmula arriscada do inconsciente do visível». Dizemos o visual e opomo-lo ao visível, para exprimir esta hipótese que teve em conta que o mistério da encarnação visava ou tinha por efeito perturbar a ordem do mundo visível e a ordem clássica da imitação. Ela devia perturbá-la como um sintoma perturba o corpo, ou como um milagre (diria Agostinho) perturba a ordem normal das coisas. (…) »
Georges Didi-Hubermam, « Puissances de la figure. Exégèse et visualité dans l’art chrétien », Encyclopaedia Universalis- Symposium, Paris, EU., 1990, pp596-609.
Imagens : Verbum Domini, inicial iluminada do Livro de Osías, bíblia medieval. Bibliotca Guarneriana, ms. 3 folio 12. San Daniele del Friuli. Cálice da abadia de Saint-Denis
Abriram contra mim suas bocas, como um leão que despedaça e que ruge.
14 Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas.
15 A minha força se secou como um caco, e a língua se me pega ao paladar; e me puseste no pó da morte.
16 Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou, trespassaram-me as mãos e os pés.
17 Poderia contar todos os meus ossos; eles vêem e me contemplam.
18 Repartem entre si as minhas vestes, e lançam sortes sobre a minha roupa.
19 Mas tu, SENHOR, não te alongues de mim. Força minha, apressa-te em socorrer-me.
20 Livra a minha alma da espada, e a minha predileta da força do cão. (Salmo 22)
Pregação aos sarracenos cinocéfalos
Nas biografias medievas ocidentais, Maomé era descrito como um cristão herético; um cardeal romano ressabiado por não ter sido eleito Papa.
Numa versão castelhana do início do século IX, contava-se que negara a divindade de Cristo, acabando por morrer bêbado, devorado por cães e porcos numa pocilga.
Pentecostes, Paris. Bibliothèque Nationale MS Syr. 344. fol. 7, 1497 (manuscrito arménio)
The Kiev Psalter Saltério datado de 1397,com 300 iluminuras- Biblioteca Pública de Leningrado (fol 28 r.)
Cristo rodeado pelos soldados com cabeças de cão. O texto acrescenta “quatro soldados me rodearam me, o ajuntamento dos malfeitores me cercou. Trespassaram-me as mãos e os pés. Livra a minha alma da espada, e a minha amada da força do cão”- recordando a belíssima premonição do Salmo de David- "Circundederunt me canes multi; concilium malignatium obsedit me"
O tema é semelhante ao do saltério Chludov (meados séc. IX) onde os romanos também aparecem como cinocéfalos.
Na tradição do Pentecostes era comum aparecerem cinocéfalos- raças fantásticas que se acreditava existirem para os lados da Síria. Nesse caso pretendia-se valorar a os apóstolos que pregaram o Evangelho, até às raças mais distantes.
Nestes exemplos, o sentido negativo prevalece- mostrando hereges e pagãos romanos bestializados.
Felizmente que não é a única. Por todo o lado os edifícios do Estado seguem-lhe o exemplo. Como se pode observar nos exemplos da Ermida de Santo Amaro e Sé do Porto, calcula-se que já devem estar na forja campanhas de sensibilização urbana, para se evitar desmandos de algum membro do clero mais reaccionário.
A omnipotência divina dispõe as formas corpóreas semelhantes às minhas a sofrer os tormentos, os calores e os frios, como se fossem corpos sensíveis. Estulto é quem espera que a nossa razão possa percorrer toda a infinita via, que tem uma substância com três pessoas.
«Contentai-vos de conhecer as obras de Deus; porque se os homens tivessem podido conhecer todas as coisas, fora inútil o parto de Maria. Vede, no mundo homens insignes desejarem, sem resultado. Conhecer a causa das coisas; e o não conseguir, eternamente, constitui a pena: eu digo de Aristóteles e de Platão e de muitos outros» .E aqui inclinou a fronte e não disse mais e ficou turbado (…)
«(...) Se, em nome da lei da liberdade religiosa, se começa a banir cruzes de escolas, terão pensado os libertários onde se iria parar, se quisessem ser inteiramente coerentes?
Dou três exemplos, mas podia dar trinta.
a) Em primeiro lugar, era preciso mudar de bandeira. Efectivamente, mesmo a actual Bandeira Nacional, aprovada pela Assembleia Constituinte de 1911, certamente insuspeita de qualquer laivo clerical, mostra a esfera armilar e o escudo com "o campo branco das quinas", que nela figuram desde D. João I e resistiram às mudanças de D. Manuel, D. João VI ou D. Pedro IV. As cinco quinas figuram o quê? Como toda a gente sabe, ou devia saber, figuram as cinco chagas de Cristo, que Este terá mostrado a D. Afonso Henriques quando lhe apareceu em Ourique. A aparição não tem fundamente histórico e foi patranha inventada, vários séculos depois, para justificar a suposta origem divina da independência e do país. Mas o caso pouco interessa a não ser a interesseiros historiadores, com particular relevo para os de Alcobaça em tempos de ocupação espanhola. Com os tempos - e tantos tempos são - tornou-se um símbolo cultural. Abel Botelho, Columbano, João Chagas, José Afonso Pala e António Ladislau Pereira, os autores da Bandeira verde e encarnada, ainda levaram algumas "bicadas". Mas foram muitos mais as dos que queriam conservar o azul e branco (Junqueiro, Braancamp Freire ou António Arroio) do que as dos recordadores de Ourique e das feridas do Senhor. A Bandeira ainda hoje é vulgarmente conhecida por "bandeira das quinas" (o que Pessoa achou providencial) e não recordo, nem mesmo do mais fanático anticlerical (aquele que, na minha infância, me aterrorizava aos gritos de "Viva a República! Abaixo a Padralhada"), qualquer ataque a essa simbologia primacial. Mas, em nome de tal "liberdade religiosa", não faltaria alguma razão aos inflamados de agora, se levassem a lógica às de cabo, em se insurgir contra tal marca no símbolo da Pátria, que, se não erro, ainda vale aos que a desrespeitem uma pena de três meses a um ano de cadeia.
b) A recente revisão da Concordata manteve como feriados nacionais sete datas de conotação obviamente religiosa e obviamente católica. Dois deles (8 de Dezembro e 15 de Agosto) celebram a Imaculada Conceição de Maria e a Assunção da Virgem aos céus, em corpo e alma. São dogmas relativamente recentes (1854 e 1950, respectivamente) e que, mesmo entre ortodoxíssimos católicos, levantaram, à época em que foram proclamados, rijas polémicas. Alguém estremece quando descansa nessas datas, considerando-as absurda intromissão da Igreja na sua vida privada?
E já nem sequer falo do Natal, celebração de acontecimento por demais conhecida, e feriado em quase todo o mundo ocidental. É verdade que o fundamentalismo americano, desde há alguns anos, começou a fazer campanha contra o "Merry Christmas", substituindo-o por "Season's Greetings". Ouvi dizer que, no ano passado, o presidente Bush, na sua mensagem de Natal, omitiu, pela primeira vez, a palavra "Christmas" para ser mais "politicamente correcto". Não me digam que o Bush=Hitler foi mero lapso, fonte de liberdade e que nele se inspiram os que agora clamam. Já tenho visto contradições maiores.
c) O Presidente da República tem residência oficial em Belém. Não seria de mudar o nome ao sítio que recorda presépios e Meninos virginalmente nascidos? Não será demais que a Belém se some S. Bento, como sede da Assembleia da República e residência oficial do primeiro-ministro? Do Calvário, em Lisboa, à rua da Gólgota, da Agustina, no Porto quantos nomes canónicos ou santificados por essas cidades, vilas, aldeias, ruas ou largos de Portugal? Não é tempo de mudar esses nomes todos que tresandam a sacristia?
Ou será que Cristo e a Cruz só são de banir quando se trata de criancinhas? Fica a pergunta, mas é de bom tamanho.
3. Nos casos evocados, como no caso das cruzes nas escolas, a dimensão do símbolo ultrapassa, de longe, a questão religiosa para ser sobretudo uma questão cultural. Entendam-me bem: para um católico (no caso da Cruz para qualquer cristão, seja ele protestante ou ortodoxo) a Cruz é o símbolo supremo da morte redentora de Jesus, a quem chamavam de Cristo, e, como tal ou enquanto tal, nenhuma outra simbologia se sobrepõe a essa. Mas, para os outros portugueses, mesmo os que mais professem o ateísmo, o símbolo é o símbolo de uma cultura que, goste-se ou não, queira-se ou não, desde a fundação da nacionalidade foi e é critério. Mesmo aqueles para quem Jesus foi só um dos milhares de homens que sofreu uma das mais horríveis formas de morte que homens infligiram a outros homens, mesmo até para aqueles que põem em causa a sua existência histórica, a Cruz é um elemento sociologicamente identificador, que assinala a nossa pertença a uma determinada civilização e a uma determinada cultura. A História que culminou nela e que foi narrada pelos quatro evangelistas (eventualmente por muitos outros que a Igreja Católica não aceita como testemunhos fidedignos e a que continua a chamar "textos apócrifos") é a História sem a qual nada compreenderíamos da História de Portugal e da esmagadora maioria da poesia e literatura portuguesas ou da arte portuguesa. Suponha-se uma leitura de Os Lusíadas, do Crime do Padre Amaro ou da Relíquia, da Mensagem ou do pagão Caeiro, sem referência a essa cultura informadora e formadora. Haveria maneira de compreender algo? E dispenso-me de chegar até José Saramago, obcecado por essa cultura, para não dizer por essa religião. Suponha-se uma visita a qualquer dos nossos museus, sem qualquer familiaridade com a religião católica. O "maravilhoso cristão", para quem o não queira interpretar de outro modo, é a chave de acesso, como chaves de acesso são as mitologias greco-romanas, não conhecendo eu ninguém que creia em Zeus ou em Vénus, em Ares ou em Mercúrio. Suponha-se que era de tradição uma reprodução da Vénus de Milo nas escolas. Assistir-se-ia a um clamor nacional, invocando a liberdade religiosa para varrer a Vénus de peitos desnudos da vista das criancinhas? Só se fosse pelos ditos peitos, em nome de moral assaz reaccionária. Por causa da deusa, não seria certamente.
4. No seu infeliz artigo, Joana Amaral Dias recorda que, de acordo com a Constituição de 76 e suas várias revisões, "o ensino público não será confessional". A presença da Cruz nas escolas determina a confessionalidade? Se assim fosse, a presença do retrato do Presidente da República, em inúmeros edifícios públicos, ofenderia também os monárquicos, que têm tanto direito a sê-lo como qualquer outro português de ser politicamente o que lhe apeteça. Como a presença da coroa (por exemplo no Teatro Nacional de São Carlos) ofenderia os republicanos, diariamente agredidos por armas reais e brasões ou outras insígnias semelhantes, patentes na maior parte dos palácios nos chamados monumentos nacionais.
"Mas a República é laica", observou a jovem mandatária, reconhecendo embora (muito favor dela) que "cada um pode ter as convicções que quiser".
Chegamos a uma palavra que tem sido uma das maiores fontes de equívocos e de interpretações dúbias. Laico (do latim laicu) significa apenas que se não é eclesiástico religioso. Há um clero regular (o clero das ordens religiosas) e há um clero laico (o clero que não pertence a nenhuma dessas ordens e que também se costuma chamar clero diocesano). Depois há os leigos (e laico e leigo são termos equivalentes) que são todos aqueles que não foram ordenados padres, ou seja a esmagadora maioria da população. Os leigos (todos quantos não receberam o sacramento da Ordem) tanto podem ser crentes como não-crentes. Quando a Igreja se dirige aos leigos, dirige-se a todos eles, embora só os que a reconheçam enquanto tal estejam obrigados a obedecer-lhe ou sequer a ouvi-la. Eu sou tão laico como Jerónimo de Sousa ou Francisco Louçã, no sentido em que a palavra nada mais diz senão que nem eu nem eles professámos ou recebemos Ordem.
É certo que, por um galicismo de costas muito largas, laicismo é também a doutrina política que proclama a laicidade absoluta do Estado, entendendo-se por ela, comummente, a neutralidade perante todas as crenças religiosas e perante crentes e não-crentes. Mas, mesmo nessa latíssima acepção (gramaticalmente abusiva), o Estado não está obrigado a fazer tábua rasa dos valores de que é por igual herdeiro. Não está obrigado, e muito menos o deve fazer, sob pena de atentar gravemente contra direitos culturais igualmente reconhecidos e que o impedem de apagar porção relevante do nosso passado e da nossa história. É verdade que a Revolução Francesa o tentou fazer, mudando tudo, desde os nomes dos meses e a numeração dos anos, até à figura do rei no baralho de cartas. Sabe-se no que isso deu, como se viu, nos últimos meses, o que deu a absurda proibição do véu islâmico nas escolas oficiais francesas.
Desculpem-me a expressão, mas, "por amor de Deus", parem com esta loucura ou com este fundamentalismo reverso. A não ser que se queiram imortalizar, como se imortalizou o Gouvarinho de Eça quando acusou os defensores da educação física de quererem substituir a Cruz pelo trapézio. Como se costuma dizer, o ridículo mata. E, só para não invocar o Santo Nome em vão, não termino esta crónica dizendo: "Haja Deus", expressão corrente na boca de tantos ateus.»
Bandos de cretinos; leprosos; heréticos e canibais; gafos e ladrões psóricos; mija-nos-finados, epítetos vários com que ficaram conhecidos os cagots medievais, que ainda duraram até aos sans culottes da Revolução Francesa.
Pois foi preciso chegar-se ao século XXI para o pacote socretino nos oferecer a versão fracturante desta cagotaria jacobina.
Como variante posmoderna, apresentam características curiosas- entram em auto-exorcismo e levitam sem ser preciso atirar-lhes com alhos.
Por outro lado, ao contrário dos antigos, nem necessitam de viver na marginalidade- têm o Poder do mundo às avessas por conta e já ameaçam levar crucifixos a tribunal dos Direitos do Homem.
Só é pena os ingenheiros de tráfego alternativo não porem a render os dons naturais destes esquentamentos espirituosos. À falta de melhor uso, sempre podíamos chamar uma cagota em vez de um táxi.
Daughters of Jove [Zeus] and Themis, seasons bright, Justice [Dike], and blessed Peace [Eirene], and lawful Right [Eunomia], Vernal and grassy, vivid, holy pow'rs, whose balmy breath exhales in lovely flow'rs All-colour'd seasons, rich increase your care, circling, for ever flourishing and fair: Invested with a veil of shining dew, a flow'ry veil delightful to the view: Attending Proserpine [Persephone], when back from night, the Fates [Moirai] and Graces [Kharites] lead her up to light; When in a band-harmonious they advance, and joyful round her, form the solemn dance: With Ceres [Meter] triumphing, and Jove [Zeus] divine; propitious come, and on our incense shine; Give earth a blameless store of fruits to bear, and make a novel mystic's life your care.
Orphic Hymns, trad. Thomas Taylor Orphée La femelle de l'alcyon, L'Amour, les volantes Sirènes, Savent de mortelles chansons Dangereuses et inhumaines. N'oyez pas ces oiseaux maudits, Mais les Anges du paradis.
La tort Du Thrace magique, ô délire! Mes doigts sûrs font sonner la lyre. Les animaux passent aux sons De ma tortue, de mes chansons
(Guillaume Apollinaire, Le Bestiaire ou Cortège d' Orphée, illustrado por Raoul Dufy)
«Outro é o cantor que vos proponho: ele não tarda, depressa virá, a quebrar a escravatura amarga imposta pela tirania dos demónios e, colocando-nos sob o doce e humano jugo da piedade, lembrando aos Céus aqueles que tinham sido precipitados sobre a Terra. Só ele, na verdade, amansou os animais mais difíceis, os homens: aves como os frívolos, serpentes como os mentirosos, leões como os violentos, porcos como os voluptuosos, lobos como os rapaces» Clemente de Alexandria, Protréptico, II, 17, 2; 18, 2. (150-215 dC.)
Mosaico do Arnal, Maceira, Leiria (Imagem A. Balil)- descoberto em 1848 pelo reverendo Patrick Russel e rapidamente roubado e levado para Inglaterra, possivelmente por um cônsul.
Foi descrito no Ilustrated London News de 5 de Setembro de 1857.
Cristo Bom Pastor, Catacumba Domicília, c séc III.
No início havia a Nammu- a deusa- Mar Primordial. Dele foi produzida a Montanha Cósmica e separado o céu pelos deuses. Num palácio subaquático reinava Enki- o deus da sabedoria que se fazia acompanhar da serpente. O abismo- abzu- abençoou os bois, as aves, os pássaros, os juncos, as prata, o ouro, e os seres humanos da Montanha Negra.
Foi ele quem fixou as normas do mar, quem regulou os ventos, quem nomeou o deus das trovoadas e tempestades, do mesmo modo que se ocupou do ensino da lavoura e da construção das cidades.
No mais profundo das suas águas continuou guardada a planta da vida eterna.
Epopeia de Gilgamesh 25 mil anos antes de Cristo.
Túmulo do mergulhador, Paestum, c. 450 aC .
O morto da tumba grega ou etrusca não espera pelo barqueiro do rio do esquecimento - lança-se do alto das colunas do Fim do mundo, nas águas acolhedoras da Eternidade.
Se não queres passar por reaccionário, beato outerrorista socialista Fedayeen, e acabar despejado num lar ranhoso da terceira idade, faz como este jovem- investe atempadamente num PPR da Irgun.
(…)-“De futuro, serás amaldiçoado pela terra, que, por causa de ti, abriu a boca para beber o sangue do teu irmão. Quando a cultivares, não voltará a dar-te os seus frutos. Serás vagabundo e fugitivo sobre a terra”. – Sentencia-o Deus. -“Eu, que não tenho lugar, desterrado e filho de despejado, vou construir o meu próprio lugar. Eu, a quem o sangue do meu irmão veda o cultivo da terra, vou cultivar o sangue do meu irmão.” – Parece ter sido, arrepiante, a resposta. Deveríamos entendê-la, pois vivemo-la na sua insofismável actualidade e presença. A raça de Caim é uma raça irascível e belicosa: “Matei um homem porque me feriu, e um rapaz porque me pisou –se Caim foi vingado sete vezes, Lamec sê-lo-á setenta vezes sete.”, garante e prescreve o seu quadrineto. Nem o tempo, nem a história atenuarão a violência, ou abrandarão a cólera e o rancor.(…)
A ler na íntegra, no Dragoscópio mais uma passagem do Tratado da Besta.
De estetoscópio e bata branca; que isto de passar de blogger a deputado é pouco, para quem esbanja 180 dias de ouropéis filosóficos apenas por 20814,72 euros em troca.
Dedicado aos coninhas do mar; morcões de telenovela e quejandos lulistas da silva que, tal como a Maité, também se enojam muito só de pensarem nos 800 anos da mais despótica ditadura monárquica.
Mais propriamente em formato Zen Drupal. Soa a estrangeirismo mas é mesmo assim. O nosso ilustre governo, possivelmente sob efeito das memórias do carbúnculo das choças, decidiu pagar perto de 100 mil euros, ao artista Henrique Cayatte para o artista lhes aprontar o design do portal das comemorações em curso .
A historieta foi abordada pelo José no Portadaloja e o desenvolvimento pode ser lido nuns comentários do Blasfémias, por um blogger que a desmontou. Aqui - comentários 20 e 30.
Como foi explicado por quem topou a tramóia- o artista Cayatte, como bom artista português, não fez mais nada- foi ao Drupal e sacou o template zen- à borla, que aquilo é open source.
Claro que um template zen é coisa que soa a sexo tântrico – nem precisa de mexer muito. Daí, que o nosso artista se tenha ficado por lhe introduzir umas ligeiras alterações na cor e já está- a República que desembolse os 90 mil pintores, que nestas coisas um designer não fica atrás no preço da assinatura.
Ora, parafraseando o Groucho, nós aqui, no estaminé, temos princípios mas, para quem não goste deles, também arranjamos outros.
E o musaranho, que é danado para html e CSS, garante que é capaz de fazer rejubilar qualquer ministério, bodas de ouro de Câmara, cinquentenário de grupo parlamentar ou mesmo aniversário de fundação de inspiração laica e jacobina, por metade do preço.
Basta assobiarem que a vida é mesmo assim- temos de ser uns para os outros.
Adenda: Para que não restem dúvidas quanto à habilidade do portal (que por acaso até é do sapo) propomos um concurso: vamos ver quantos portais iguaizinhos e à borla, a blogosfera é capaz de criar.
Escudo de D. Afonso Henriques, cadeiral manuelino do mosteiro de Santa Cruz de Coimbra.
Segundo a tradição, o próprio monarca entregou ao cuidado dos monges que mantinham o cristianismo bem antes da fundação da nacionalidade, o escudo com que venceu os combates contra os infiéis.
Este mesmo escudo foi levado por D. Sebastião para Alcácer Quibir.
«Eu me tenho pubricado em e deuer de fazer por mim por amor de Nosso senhor e ua empresa em África, por muitas e mui grandes razoës, mui importantes ao bem de meus reinos e de toda A espanha, de que táóbem resulta beneficio a Christandade;o que me pareceo escreueruos assi Gérai emcomendardes a Nosso Senhor o bom sucesso da empresa, que por seu seruiço faço, como gérai uos direi que desejo leuar nella a espada e escudo daquelle grande e ualeroso primeiro Rey deste Reyno D. Affonso Henriques, cuja sepultura esta neste Mosteiro, porque espero em Nosso senhor que corn estas armas me de as uictorias que el Rey D. Affonso corn ellas teue; peloque uos encomendó muito que logo mas enuieis por dous Religiosos desseconuento que pera isso elegereis E como embora tornar, as tornarei a enuiar a este Mosteiro pera as terdes na ueneraçaô" e guarda que E deuida a cujas forao, e pera que entendais que as nad quero senao emprestadas pera o effeito que uou e de quad grande contentamento isto da pera mim (?). Escrita em Lisboa a 14 de Marco de lb?8 Rey»
Consultar: Dom José de Christo Bretiandos, Chrónica de Santa Cruz de Coimbra, Io parte e Mateo Aléman, Vida de Santo António de Padua, 1804-fontes: B.P.M.P. n° 86 - Antigo Santa Cruz.- D. Jose de Christo Bretiandos, 1625 Livro das Lembranças & Memórias,redactado segundo conjetura D. José de Christo, entre 1441 y 1459
Ontem entrou-me um pelotão de bombeiros pela casa dentro e mais a polícia, à conta de uma micro-fogueirita que fiz no jardim.
A imbecilidade foi de tal ordem que eu, quando vi um deles à janela, do prédio ao lado, a perguntar-me o nº da porta, até pensei que era o idiota do vizinho de capacete de mota na cabeça e mandei-o bugiar....
Mas depois de uma hora de confraternização campestre em torno da fogueira e umas bebidas para descontrair, até o polícia e mais os sete bombeiros já concordavam comigo que perigosas são as beatas que os porcos atiram pela janela.
"O Bloco de Esquerda...é um senhor que é uma espécie de Vasco Gonçalves com traje do bispo Macedo. Promete tudo, mas não tem dinheiro para nada do que promete."
Belmiro de Azevedo, na Sic Notícias (via Portadaloja)
Day after day, Alone on a hill, The man with the foolish grin is keeping perfectly still But nobody wants to know him, They can see that he's just a fool, And he never gives an answer,
But the fool on the hill, Sees the sun going down, And the eyes in his head, See the world spinning 'round
Parece que, em substituição do Jornal Nacional da TVI, vamos ter um programa educação para a expansão da cidadania e da solidariedade socialista, com a colaboração do Coronel Tapioca e do General Alcazar.
Consta que a ERC apenas recomendou que a emissão nacional fosse dobrada por artistas da casa.
A famigerada Mocidade Portuguesa do “facismo” renasce em formato de perversão das criancinhas para que o Homem Novo seja amiba, idêntica aos doutrinadores.
ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA Lei n.º 60/2009 de 6 de Agosto
Estabelece o regime de aplicação da educação sexual em meio escolar. A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, o seguinte: Artigo 1.º Objecto e âmbito 1 — A presente lei estabelece a aplicação da educação sexual nos estabelecimentos do ensino básico e do ensino secundário.
2 — A presente lei aplica -se a todos os estabelecimentos da rede pública, bem como aos estabelecimentos da rede privada e cooperativa com contrato de associação, de todo o território nacional
Conteúdos curriculares Compete ao Governo definir as orientações curricularesadequadas para os diferentes ciclos de ensino.
Artigo 5.º Carga horária A carga horária dedicada à educação sexual deve ser adaptada a cada nível de ensino e a cada turma, não devendo ser inferior a seis horas para o 1.º e 2.º ciclos do ensino básico, nem inferior a doze horas para o 3.º ciclo do ensino básico e secundário, distribuídas de forma equilibrada pelos diversos períodos do ano lectivo.
Finalidades
Constituem finalidades da educação sexual: a) A valorização da sexualidade e afectividade entre as pessoas no desenvolvimento individual, respeitando o pluralismo das concepções existentes na sociedade portuguesa; b) O desenvolvimento de competências nos jovens que permitam escolhas informadas e seguras no campo da sexualidade;
c) A melhoria dos relacionamentos afectivo –sexuais dos jovens; d) A redução de consequências negativas dos comportamentos sexuais de risco, tais como a gravidez não desejada e as infecções sexualmente transmissíveis; e) A capacidade de protecção face a todas as formas de exploração e de abuso sexuais; f) O respeito pela diferença entre as pessoas e pelas diferentes orientações sexuais; g) A valorização de uma sexualidade responsável e informada; h) A promoção da igualdade entre os sexos; i) O reconhecimento da importância de participação no processo educativo de encarregados de educação, alunos, professores e técnicos de saúde; j) A compreensão científica do funcionamento dos mecanismos biológicos reprodutivos; l) A eliminação de comportamentos baseados na discriminação sexual ou na violência em função do sexo ou orientação sexual.
Exemplos práticos para a cidadania e formação do Homem Novo
"Considera-se necessário:
a)Promover a integração plena e a visibilidade social de lésbicas, gays, bissexuais e trangéneros;
(...)
Medidas:
(...)
4.Educação:
Introduzir a temática LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros) na programação dos espaços da rede pública;
Promover referências positivas e a visibilidade da homossexualidade e da transsexualidade;
5. Cultura:
(...)
Promover, divulgar e fomentar a produção cultural de espectáculos infantis e juvenis sobre a realidade LGBT, nomeadamente, através de espectáculos, reuniões infantis, juvenis, contos, teatro, marionetas, jogos e ateliers;
Promover a aquisição de livros sobre a temática LGBT nas bibliotecas municipais (...)
........ Adenda-
As garantias científicas das cópias do “estrangeiro”
A Teresa continua com os deliciosos postais acerca do S. Bartolomeu e festejos populares. Volta-nos a ideia se esta “Lavoura dos Cães” não é uma versão portuguesa, mais próxima de uma mistura entre a tradição pagã e o sentido bíblico da natureza como uma dádiva que deve ser trabalhada e cuidada.
Se assim for, os festejos do fim da Canícula- com o seu mata-cão campestre- também podia estar sujeito à duplicidade da morte e renovação - do cão negro e do cão purificado- Actaeon-Verão- morto pelos seus trinta cães por visão inadvertida da da virginal Artmísia- duplicada nasmeninas ursas, fadas morganas e melusines- Natureza virginal, purificada e purificadora-; auto-consumpção que prepara as sementeiras.
E é também pelo facto desta tradição por cá ter tanto peso popular que, naquela historieta da salva oitocentista, que a Teresa se lembrou de uma boa probabilidade, como disse nos comentários- o demónio encadeado também pode estar assimilado a estes festejos que por cá se faziam.
Aqui fica de novo- o detalhe do acorrentado, com a campainha que tanto afastava o demo como atraía o javardo-demoníaco do Santo Antão, mas ainda com as características escamas eriçadas da tarasca.
E mais uns detalhes, onde aparecem figuras aos pares, como emissários recebidos por um Papa, assim como os apontamentos marginais dos festejos e cantorias de corte, ao lado de apontamentos de actividades do povo e minorias dos arrabaldes.
Ver também aqui ,a propósito dos cultos de Artemísia.
Entretanto, esta nossa salva tão rara, de artífice do Porto, também já se foi "para o estrangeiro".
e ainda cair o resto da arriba instável à conta disso.
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Acrescento: a arriba está a ser deitada abaixo com a urgência que convém, quando os inquéritos e peritagens podiam ir lá espreitar alguma coisa. Parece que coisas suspeitas não faltavam- a começar em tentativas recentes de serrar a arriba, desistidas a meio, passando pela "Calixto Precisamente" e os seus "olhares de troço e não do local" e "dispensa de inspecções obrigatórias por olhar à distância".
Mas apostamos que ainda vai dar para nascer entidade nova, tipo "observatório de arribas instáveis em centros balneares". .......... Adenda 24-08: «Apesar de estar «convencido» de que este inquérito já foi aberto, João Palma explicou que se isto ainda não aconteceu terá de o ser «o mais urgentemente possível, uma vez que se impõem diligências de investigação imediatas». Segundo o presidente do SMMP, estas diligências «passam desde logo pela preservação do próprio local onde a tragédia ocorreu para análise das características do terreno e do grau de previsibilidade da derrocada, que acabou por se verificar»».
Já era- A "Calixto Precisamente" acaba de garantir que a destruição de provas correu bem.
Nova Adenda:
Vão lá ler, ao Blasfémias , a passionária da ex-maoísta, em upgrade neo-liberal, para que se perceba como a estupidez está bem distribuída por todos.
Nuno Aires, presidente do Turismo do Algarve: “A área sinistrada estava sinalizada com uma placa alertando os veraneantes para o perigo de desabamento da falésia, mas não foi suficiente para evitar o acidente”
"Apelo aos utentes para cumprirem a sinalética das praias", pediu a responsável pela ARH, explicando que é impossível para a administração central olhar para cada metro quadrado de arribas nos 150 quilómetros de praia que o Algarve tem."
“Isto é um grande aviso para os banhistas que não respeitam as indicações de perigo”.
Declarações nos media:
Nunes Correia acrescentou que a ARH vai “fazer uma investigação rigorosa”, assegurando que “não houve negligência”.
O ministro do Ambiente afirmou que a arriba que hoje ruiu provocando cinco mortos tinha sido observada sexta-feira passada por técnicos do Administração Regional Hidrográfica do Algarve (ARH), não tendo sido detectado “risco de acidente a curto prazo”.
“Neste caso, a arriba estava identificada como de risco potencial mas não de haver um acidente a curto prazo”, sustentou o ministro do Ambiente Francisco Nunes Correia. O responsável, que também tutela o Ordenamento do Território sublinhou que “falta agora saber o que aconteceu na última semana para provocar a queda da arriba”.
O comandante Marques Pereira, da Autoridade Marítima, afirmou hoje que "era previsível" a queda da arriba e frisou que as pessoas devem salvaguardar-se de situações de risco, o que "infelizmente não foi o caso".
O comandante do Porto de Faro explicou que a questão deve ser colocada à Administração da Região Hidráulica do Algarve (ARH).
a tabuleta com o aviso de "zona perigosa", em várias línguas.
arriba instável, provavelmente ainda com tabuleta de aviso e depois, já sem tabuleta de aviso desrespeitado [vídeo RTP]
Nestes momentos cruciais da ética republicana, em que a culpa das mentiras e vigarices morre solteira, os avatares a berlinde da blogosfera excedem-se na criatividade com que defendem os bons dos seus filhos-da-puta.
Um dos mais engraçados, com talento poético e perfil para chegar a ministro da cultura, ainda eclipsa a memória do outro grande resistente anti-fascista.
Mas atenção, não confundir com mais outro com o mesmo apelido de família, que diz o mesmo, mas se esquece dos detalhes do original- os "webraços" de despedida e daquele grafismo sinalético inconfundível.
Quem me dera ter um "Roger, over and out" para me explicar como funciona a web política. Quem me dera ter 5 Dias para pensar se "sim, ou se sopas"... Quem me dera ter um" modem para ir à net"... Quem me dera existir...
João Coisas O "tipo dos bonecos" (aka ---> João Coisas
........ imagem antecipadora - cortesia da Tia Pimpa
Parece que este ano a estação tolinha anda a votos.
Pela nossa parte, tencionamos refugiarmo-nos na Idade Média.
De resto, por Santiago, o que é preciso é trespassá-los a qualquer preço.
19/8-Acrescento-
No seguimento de alguns e.-mails que recebi, tenho a esclarecer que a proposta de correr com os "infiéis" que nos desgovernam quer dizer isso mesmo. E literalmente, sem a menor dúvida, correr com o maior trafulha que alguma vez chegou a Primeiro Ministro.
Depois, o resto se verá, com o tempo. Mas quanto à porcaria que urge apear (melhor seria empalar) nada de dúvidas no estamine. E nem é preciso apelidar isto de "eleições"; chama-se- uma questão de higiene.
Com os rigores reformistas, qualquer pequeno deslize podia dar direito a fogueira. No tempo de Isabel I, um vigário de Kent perdeu subitamente a voz quanto tentava levar a cabo os ofícios litúrgicos, azar que era imediatamente suspeito de cena mágica de loucura. No entanto, os seus paroquianos em vez de desatarem a gritar- bruxaria! tiveram o fair play de justificar a afonia do bom pastor e chefe de família, como fruto das "bexigas francesas".
No final da Idade Média, culto da Virgem mantinha-se bem vivo na tradição popular. Em Inglaterra, na Ilha de Ely, nas vésperas da Reforma foi criada uma guilda com a finalidade de ser reparada uma imagem da Virgem. Chamaram-lhe Guilda da Assunção. Apesar de serem extintas por decreto em 1564 e confiscados os bens para a Coroa, muitas outras continuaram a receber pagamentos pela intercepção das almas no Purgatório.
J.J. Scarisbrick, The Reformation and the English People, Oxford, 1984, cit por Cristopher Marsh, Popular Religion in Sixteenth Century England, New Yor, St. Martin Press, 1998.
"Os animais dividem-se em a) pertencentes ao imperador, b) embalsamados, c) amestrados, d) leões, e) sereias, f) fabulosos, g) cães soltos, h) incluídos nesta lista, i) que se agitam como loucos, j) inumeráveis, k) desenhados com um pincel finíssimo de pêlo de camelo, etc, m) que acabam de partir o jarrão, n) que de longe parecem moscas"